Derrota de Flávio reconfigura disputa do PL por Câmara e Senado
Centrão reavalia alianças com o partido após vitória de Lula e questionamentos do senador ao resultado eleitoral.

Depois da derrota de Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno das eleições presidenciais, o PL revê a estratégia para disputar os comandos da Câmara e do Senado. Embora tenha as maiores bancadas nas duas Casas, o partido depende do apoio do Centrão para formar maiorias, bloco que recalcula alianças diante da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de questionamentos de Flávio ao resultado das urnas, feitos sem apresentação de provas.
A dependência do Centrão é central para os planos do PL no Congresso. Mesmo com as maiores bancadas da Câmara e do Senado, a sigla não tem votos suficientes, por conta própria, para aprovar pautas como pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, um dos principais objetivos do partido. Por isso, precisa negociar com outras legendas para formar maioria nas duas Casas.
Partidos como Republicanos, PP, União Brasil e Podemos haviam se aproximado do PL após a vitória de Flávio no 1º turno, mas passaram a rever o posicionamento com a reeleição de Lula. Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), saíram fortalecidos do novo cenário, e Motta já recebe sinalizações de apoio à própria recondução.
As alegações de fraude feitas por Flávio também geraram reações entre siglas do Centrão. União Brasil, MDB e PSDB reconheceram a legitimidade do resultado eleitoral, enquanto o PDT criticou a saída do senador do país. Em nota, o União Brasil, presidido por Antonio Rueda, classificou a democracia como valor “inegociável” e defendeu o respeito ao resultado das urnas. A legenda mantém apoio às reeleições de Motta e Alcolumbre, mas considera legítima a candidatura de Rogério Marinho (PL-RN) ao Senado e diz que respeitará a decisão do PL sobre a Câmara. Um dirigente do União Brasil afirmou que as divergências na disputa pelas presidências não representam rompimento com o PL.
Na Câmara, a derrota de Flávio fez o PL rever planos: o líder da bancada, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), que desde 2025 cogitava disputar o cargo contra Motta, perdeu o interesse em encabeçar a candidatura. O partido avalia agora lançar nome próprio ou apoiar a reeleição de Motta, opção que enfrenta resistência interna. Nikolas Ferreira (PL-MG) disse preferir abrir mão da presidência da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania a apoiar o atual presidente da Câmara, por considerar contraditório endossá-lo após sua aproximação com o governo Lula.
Apesar da resistência, o PL reconhece a força eleitoral de Motta, que já reúne o apoio de 361 deputados — 104 votos acima dos 257 necessários para vencer a eleição. O partido mantém o diálogo para preservar espaço nas comissões e, segundo Sóstenes Cavalcante, deve reivindicar o comando de sete colegiados com base na proporcionalidade partidária, entre eles a CCJ e a Comissão Mista de Orçamento.
Foto: Poder360
No 1º turno de 2026, Flavio Bolsonaro fez 47,0% e Lula fez 45,2% dos votos válidos para presidente. O 2º turno foi em 25 de outubro, com o resultado completo no Reeleito, cidade por cidade.